A semana foi marcada por sinais de crescimento moderado na economia brasileira, com desempenho heterogêneo econômica.
O setor de serviços apresentou leve alta de 0,1% em fevereiro, abaixo das expectativas do mercado, impactado principalmente pelo desempenho negativo do transporte aéreo de passageiros. Ainda assim, o segmento mantém crescimento de 2,7% no acumulado em 12 meses, reforçando sua relevância na sustentação da atividade econômica.
Varejo brasileiro
No comércio, o varejo ampliado avançou 1,0% no mês, também aquém das projeções, e segue com leve retração de 0,4% no acumulado anual. Por outro lado, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) cresceu 0,6% em fevereiro, em linha com as expectativas, indicando avanço disseminado entre os setores na margem.
O indicador acumula alta de 1,9% em 12 meses, sinalizando continuidade da recuperação, ainda que em ritmo gradual.
Entre os indicadores setoriais, a indústria apresentou sinais mistos.
A produção de motocicletas registrou forte crescimento, com alta de 34,5% na comparação anual, enquanto a expedição de papel ondulado também avançou, refletindo aumento na atividade industrial e na demanda por embalagens. Já o fluxo de veículos em rodovias pedagiadas apresentou estabilidade na margem, mas mantém crescimento no acumulado em 12 meses, indicando dinâmica positiva do transporte e da logística.
No campo externo, a balança comercial segue como destaque positivo, com superávit acumulado de US$ 20,9 bilhões no ano. No entanto, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) permanece abaixo dos 50 pontos, evidenciando um ambiente de cautela entre os empresários diante das incertezas econômicas.
Inflação ao produtor
A inflação ao produtor ganhou protagonismo na semana. O IGP-10 avançou 2,94% em abril, impulsionado principalmente pela alta nos preços do petróleo, gás natural e derivados, refletindo pressões externas sobre os custos industriais.
O movimento também se refletiu nas prévias do IGP-M, reforçando a tendência de elevação dos preços ao longo da cadeia produtiva, especialmente nos segmentos ligados à energia e petroquímica.
No cenário internacional, os dados indicam uma desaceleração moderada. A produção industrial dos Estados Unidos apresentou queda de 0,5% em março, enquanto a União Europeia e a Zona do Euro registraram crescimento mais contido. Esse ambiente global mais equilibrado, porém ainda incerto, reforça a necessidade de atenção para os desdobramentos sobre o comércio internacional, preços de commodities e dinâmica inflacionária.
As expectativas de mercado seguem apontando para um cenário de crescimento moderado em 2026. Segundo o Relatório Focus, a projeção para o IPCA está em 4,71%, enquanto o PIB deve crescer 1,85%.
A taxa Selic permanece estimada em 12,50% ao ano, refletindo um ambiente que ainda exige cautela na condução da política monetária diante das pressões inflacionárias e das incertezas externas.