A semana entre os dias 06 e 10 de abril foi marcada por sinais mistos na economia brasileira, com destaque positivo para o setor automotivo.
Segundo dados da Anfavea, a produção nacional de veículos apresentou forte crescimento de 23,7% em março frente ao mês anterior, alcançando o maior nível desde 2019.
Na comparação com março de 2025, o avanço foi de 35,6%, enquanto o primeiro trimestre de 2026 acumulou alta de 6,0%. As vendas também acompanharam esse movimento, com crescimento de 35,8% na comparação anual e de 16,7% no trimestre, reforçando um cenário de recuperação consistente da demanda interna.
Apesar desse desempenho robusto em segmentos específicos, a indústria como um todo ainda apresenta sinais de recuperação desigual.
A produção industrial de São Paulo cresceu 0,5% em fevereiro, com resultados positivos em boa parte do país, mas ainda acumula queda de 2,6% em 12 meses. Indicadores da CNI mostram avanço no faturamento industrial, mas estabilidade na massa salarial e leve retração no emprego, enquanto a utilização da capacidade instalada segue em patamar moderado.
No campo da inflação, o IPCA registrou alta de 0,88% em março, acima das expectativas do mercado. O resultado foi impulsionado principalmente pelos preços de transportes e alimentação, com destaque para o aumento da gasolina, que teve impacto relevante no índice.
Esse movimento já reflete um ambiente internacional mais incerto, influenciado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que pressionam custos logísticos e energéticos.
Outros indicadores reforçam um cenário de cautela. O PMI Composto do Brasil recuou para 49,9 pontos, sinalizando leve retração da atividade após um período de expansão, enquanto o setor de serviços segue em crescimento moderado.
No campo dos preços, o IGP-DI avançou 1,14% em março, puxado principalmente pelos preços ao produtor, embora ainda acumule queda em 12 meses. Já a balança comercial segue positiva, com superávit de US$ 14,2 bilhões no ano, apesar da redução no saldo médio diário em março.
No cenário internacional, os dados também indicam desaceleração. Estados Unidos, Zona do Euro e Alemanha apresentaram queda nos indicadores PMI, com destaque para o setor de serviços norte-americano, que passou a sinalizar retração.
Esse ambiente global mais incerto reforça a necessidade de atenção redobrada para os próximos meses, especialmente diante dos impactos sobre inflação, câmbio e atividade econômica.
Para as próximas semanas, o mercado segue atento aos principais indicadores econômicos, como o Relatório Focus, dados de atividade (IBC-Br), comércio, serviços e índices de preços.
As expectativas atuais apontam inflação de 4,36% em 2026, crescimento do PIB de 1,85% e taxa Selic em 12,50% ao ano, refletindo um cenário de crescimento moderado, com desafios relevantes no controle inflacionário e na recuperação sustentável da indústria.